14.4.08

CACHORRO VELHO

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"Uma velha senhora foi para um safári na África e levou seu velho vira-lata com ela. Um dia, caçando borboletas, o velho cão, de repente, deu-se conta de que estava perdido.

Vagando a esmo, procurando o caminho de volta, o velho cão percebe que um jovem leopardo o viu e caminha em sua direção, com intenção de conseguir um bom almoço ..

O cachorro velho pensa:

-'Oh, oh! Estou mesmo enrascado ! Olhou à volta e viu ossos espalhados no chão por perto. Em vez de apavorar-se mais ainda, o velho cão ajeita-se junto ao osso mais próximo, e começa a roê-lo, dando as costas ao predador ..

Quando o leopardo estava a ponto de dar o bote, o velho cachorro exclama bem alto: -Cara, este leopardo estava delicioso ! Será que há outros por aí ?

Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um arrepio de terror, suspende seu ataque, já quase começado, e se esgueira na direção das árvores.

-Caramba! pensa o leopardo, essa foi por pouco ! O velho vira-lata quase me pega!

Um macaco, numa árvore ali perto, viu toda a cena e logo imaginou como fazer bom uso do que vira: em troca de proteção para si, informaria ao predador que o vira-lata não havia comido leopardo algum..

E assim foi, rápido, em direção ao leopardo. Mas o velho cachorro o vê correndo na direção do predador em grande velocidade, e pensa:

-Aí tem coisa!

O macaco logo alcança o felino, cochicha-lhe o que interessa e faz um acordo com o leopardo.

O jovem leopardo fica furioso por ter sido feito de bobo, e diz: -'Aí, macaco! Suba nas minhas costas para você ver o que acontece com aquele cachorro abusado!'

Agora, o velho cachorro vê um leopardo furioso, vindo em sua direção, com um macaco nas costas, e pensa:

-E agora, o que é que eu posso fazer ?

Mas, em vez de correr ( sabe que suas pernas doídas não o levariam longe...) o cachorro senta, mais uma vez dando costas aos agressores, e fazendo de conta que ainda não os viu, e quando estavam perto o bastante para ouvi-lo, o velho cão diz:

-'Cadê o filha da puta daquele macaco? Tô morrendo de fome! Ele disse que ia trazer outro leopardo para mim e não chega nunca! '

Depois, mais experiente e feliz, o velho cachorro continuou à caçada a borboletas, para alegria da velha senhora!


Moral da história: não mexa com cachorro velho... idade e habilidade se sobrepõem à juventude e intriga.


Sabedoria só vem com idade e experiência. "

Em homenagem a todos aqueles que são jovens há mais tempo.

(Texto recebido por e-mail, sem citação de autor)


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9.4.08

GUSTAVE COURBET




Depois de concluída por Courbet, a tela acima foi mantida oculta durante muito tempo. Hoje, é uma das que atraem mais a atenção do público. A idéia traduz algo como "onde tudo começou..." O título é "Origem do Mundo"

12.2.08

CONFISSÕES NO PARQUE

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Gente anônima transforma as pistas e os gramados do maior espaço verde da capital em um divã divertido
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Marcelo Abreu
Da equipe do Correio
(Matéria do jornal Correio Braziliense de 12.02.2008)
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Se há um lugar verdadeiramente democrático na Brasília reta de Lucio Costa é o Parque da Cidade. Ali, nos seus 10km de extensão, cabem todas as tribos, todos os gostos, todos os devaneios, todos os sonhos, todos os planos, todos os suspiros… Ali, cabem todas as conversas — sem censura, sem cortes, sem meias-palavras, sem edição. E elas, as conversas, vêm soltas, sonoras, desprovidas de culpa, medo ou vergonha. Simplesmente vêm.
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Ouvi-las, sem fazer muito esforço para isso — tampouco o ato de ouvir revela indiscrição — é uma viagem. Uma saborosa viagem. No Parque da Cidade, em cada conversa alheia — falada em alto e bom som (quem fala, fala tão alto que nem se preocupa se alguém vai ou não ouvir) — talvez esteja um pouco de nós mesmos. Mesmo que, à primeira impressão, nem percebamos isso. .
Primeiro domingo de sol depois do carnaval. O parque está lotado. São 10h. Uma multidão saiu de casa para andar pelo espaço mais plural de Brasília. Há quem ande em grupo — duas, três ou mais pessoas — e fale sem parar. Há quem ande sozinho e nem assim deixa de falar. Fala baixinho, como se contasse segredo, guardado a sete chaves. Há quem cante, repetindo a música que ouve no aparelhinho grudado no ouvido. Há quem medite. Há quem corra. E nem assim deixa de falar. Há quem se espante com que o ouve. Há quem finja não ouvir. Há quem leia, debaixo de uma árvore. Às vezes, troca confidências com os personagens do livro. E fala alto.
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Uma moça bonita, em torno dos 20 anos, cabelos negros presos num boné, lê alguma coisa interessante sob a sombra de um pé de manga. É um livro de capa dura. Em algum momento, ela o deixa repousar sobre o colo e se perde nos próprios pensamentos. Depois, como se só ela ali existisse, deixa escapar alguma coisa. Um suspiro bom. Aquele momento, mesmo visto de longe, parece ser só dela. O parque é dela.
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Assim como é de um monte de gente anônima. São donos de um mesmo pedaço. E, sendo tão donos, sentem-se como se estivessem na sala de casa: em companhia do melhor amigo, do amante, do marido, da mulher, do companheiro, da companheira…Seja lá de quem for. Nesse aconchego todo, surge um casal — uma moça morena e um rapaz de pele clara. Ela fala qualquer coisa, usando de comparação: “Nunca tive dinheiro e nem assim meus filhos andavam desarrumados”. E continua: “Acho desleixo de mãe esse tipo de coisa…” O companheiro de andança dominical concorda, balançando com a cabeça.
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E a moça e o rapaz somem. A conversa ainda vai render… Mas eis que logo surge uma dupla animada. Animadíssima. Aqui entre nós, a dupla é mais que animada. É descoladíssima. São duas mulheres, na faixa dos 30 anos. Uma delas, de cabelos castanhos-claros, roupa de ginástica e óculos escuros gigantescos, desses que se vêem em revistas de celebridades, conversa com a outra — de cabelos tingidos de loiros, short de lycra, miniblusa e óculos de sol igualmente gigantes.
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A de cabelos castanhos-claros não tarda a sapecar: “Aí eu disse pra ela: ‘Aquela tua amiga é pistoleira. E repeti: Pistoleira mesmo, caçadora de homem de bar em bar’. Ela arregalou os olhos. E eu não perdi tempo. Já que tava a fim dizer, disse mesmo. Ainda avisei: ‘Você vai ver. No dia que ela tomar seu namorado, te der uma rasteira, aí você vai me dar razão. Ela já fez isso com duas amigas inseparáveis dela. E você ainda acha que aquilo é amiga de alguém…’”. A moça de cabelos loiros também não deixou por menos: “Quer saber? Eu acho ela ingênua demais. Só vai perceber que aquilo não presta quando pegar o namorado com a pistoleira…”
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Cena gay

Mas eis que as duas moças descoladas também somem. É preciso andar. Há muito para falar. Logo atrás, dois rapazes, em torno dos 25 anos, ambos com tatuagem nos braços e nas costas, caminham sem pressa. O mais malhado e de cabeça raspada, irritado, dispara: “A cena gay em Brasília tá muito ruim. Tu tem que ver a de São Paulo. A noite é de pirar, maluco! Muita loucura! Muita azaração! E aqui? Nem perco mais tempo saindo”. O parceiro de noitada ajeita os óculos estilosos e, com cara de ‘não-tô-nem-aí’, olha para um povo que corre ao lado e não deixa barato: “Nessa cidade só tem gente feia. Eu também tô dando um tempo. Sair aqui é queimar o filme”. De repente, os dois decidem correr. O papo sobre a cena gay de Brasília fica para outra hora. O momento é do corpo.
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Um casal — pelo menos estava de mãos dadas — anda perto da ponte. A moça diz ao companheiro: “Se eu não puder falar pra ela o que penso, então acho que isso não é amizade. Se tiver que medir o que digo, não vale a pena insistir ser amiga de uma pessoa que não aceita ouvir verdade e insiste em se fazer de vítima sempre …”. O moço que andava de mãos dadas com a moça que discursava sobre o sentido da amizade apenas consentiu. O casal desceu a ponte e andou. A fila sempre anda. Um homem, mais de 40 anos, atarracado e barrigudo, corria quase morrendo. Além do esforço dilacerante (a impressão é de que podia ter um piripaque a qualquer momento), ainda falava alto ao celular. Uma bravura! Confiante, perguntava para alguém do outro lado da linha, certamente o parceiro das mil e uma noites impublicáveis: “E ai, tu saiu ontem? Aquelas meninas gostosinhas tavam lá? Não me conta! Rolou?” De repente, o homem atarracado desapareceu, pensando nas ‘meninas gostosinhas’ que ele não viu. E não viu. Coitado. Melhor continuar correndo…

O parque continua lotado. Passa da 11h. Um trio de mulheres se encontra perto do relógio do sol. Depois dos tradicionais beijinhos, uma das mulheres, que caminhava sozinha, diz para a amiga: “Nossa, você viu como eu tô enorme de gorda? Nem sei mais o que fazer. Passei esse carnaval todo de boca fechada, sem extravagância, passando fome e nem assim consegui emagrecer”. A amiga a consola: “Você não tá gorda, não. É impressão sua, menina!”. Conversam amenidades. Despedem-se com beijinhos e mais beijinhos. O trio se separa. A amiga que a consolou, longe da outra que se queixava do excesso de peso e sumiu na multidão, disse para a moça que a acompanhava no passeio: “Mas que ela tá gorda, tá. Não quis foi dizer, mas tá. Mas isso é porque come demais…” Meu Deus!
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Pelo telefone

Há também quem, no parque, termine um relacionamento amoroso — ou o que valha. E pelo celular. Um homem, perto dos 50 anos, andava vagarosamente perto dos eucaliptos, onde o churrasco rola solto. De forma paciente, ele dizia ao ser que o ouvia do outro lado da linha: “Tô te pedindo sinceramente desculpa. É o máximo que posso fazer no momento”. A criatura do outro lado da linha não deve ter aceitado as desculpas do homem que tentava ser elegante. Mas aí ele perde a cabeça: “Então, se você acha que desculpa é pouco, não temos mais nada pra falar. Viva sua vida, que vou viver a minha. Chega! É a melhor coisa que a gente pode fazer agora. E só uma coisa: depois não diz que se arrependeu”. E desligou, raivosamente, o telefone. Andou desconsolado e resolveu ir embora. Seguiu para o estacionamento, entrou no carro e sumiu.
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Nem a faxineira escapou, minha gente! A raiva de uma mulher em cima da cidadã consumiu algumas das voltas do parque. Em companhia de um homem — provavelmente um amigo — ela desanda a falar. O sotaque é mineiro, com tiradas goianas: “Não dei conta, não. Ela destruiu minha casa. Quebrou louça, peças raras de decoração. Mudava móvel de lugar sem eu mandar. Tinha dia que chegava em casa e não reconhecia. Parecia que tinha havido um terremoto ali dentro. E olha que a Sandra, exigente do jeito que é, ainda me disse que foi a melhor faxineira que já teve na vida. Eu, tola, acreditei e contratei aquela louca…” O homem parecia pouco animado com o papo. Resolveu mudar de assunto. Puxou assunto sobre risco de apagão elétrico e o governo Lula. Pelo amor de Deus! Melhor seria continuar a divertida conversa sobre a ‘doida’ da faxineira indicada pela amiga prestativa.
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Nesse momento, uma moça conversa com outra. Pelo visto, trabalha em hospital. E não poupa o chefe. “Eu não sei como um hospital que se diz tão bom, que quer ser referência em Brasília, pode ter um chefe de unidade tão incompetente como aquela coisa. Ele é despreparado, insensível e carreirista”. A acompanhante do passeio também não perdoou: “É por isso que não agüentei muito tempo. Não tenho o menor talento para lidar com neurótico. Acho que você devia fazer o mesmo. O que não vai faltar é emprego, você é competente…” E a conversa rolou solta. A orelha do chefinho certamente esquentou…
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E assim é um domingo no Parque da Cidade. Um show. Uma diversão. Terapia que vira catarse. Ver e ouvir as pessoas só ratifica o que já sabemos: somos humanos. Ainda bem. Desses que falam alto, brigam, bradam, têm acessos de raiva, apaixonam-se. E, até por isso, tornam-se iguaizinhos. Bem iguaizinhos mesmos. Talvez o que os diferencie, pelo menos no parque, seja a marca do tênis que calçam ou o ipod (chique isso!) que ostentam no braço. Mais nada. Gente é igual em qualquer canto.
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16.10.07

ADEUS, CASSIANO NUNES

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Referência para milhares de ex-alunos da UnB, um dos maiores escritores de Brasília morre, aos 86 anos.

Da Redação (Correio Braziliense - 16.10.2007)

Recluso, silencioso e debilitado, o professor Cassiano Nunes Botica, natural de Santos, morreu ontem, às 16h50, no Hospital Brasília, vítima de falência múltipla dos órgãos, aos 86 anos. Cassiano era professor doutor honoris causa pela Universidade de Brasília (UnB) e cidadão-honorário da cidade. Publicou, ao longo de sua história, mais de 50 títulos, entre coletâneas de artigos literários, peças teatrais e livros de poema. Até ser afetado por uma grave depressão, há cerca de cinco anos, freqüentava com assiduidade os espaços culturais de Brasília. Era conhecido por sua cordialidade. O poeta ajudou a fundar a Associação Nacional de Escritores e a Academia Brasiliense de Letras, da qual era membro. Seu velório, no Campo da Esperança, terá início às 10h. O enterro deverá ocorrer no final da tarde. O poeta chegou a Brasília em 1966. Veio para assumir uma cátedra na Universidade de Brasília (UnB), que enfrentava grave crise, depois que a maioria dos professores se demitiu em protesto contra a desfiguração do projeto proposto por Darcy Ribeiro. Permaneceria lá por 20 anos, plantando grandes amizades com alunos e professores.

“Era completamente apaixonado por literatura”, lembra o escritor Lourenço Cazarré, ex-aluno de Cassiano. “Me lembro dele chegando de madrugada no Beirute. Sentava em nossa mesa e ficava ali. Vivia falando de poesia”, completa.

O escritor Anderson Braga Horta, companheiro de Cassiano na Associação Nacional de Escritores e na Academia Brasiliense de Letras, lembra outra faceta do amigo: “Era um grande contador de causos. Infelizmente, na última vez que o vi, durante a inauguração da Biblioteca Nacional de Brasília, estava apagado em um canto. Muito debilitado pela doença.” Saraus Na década de 1970, a casa de Cassiano na 711 Sul era freqüentada por artistas de teatro, poetas, escritores e músicos. Clodo Ferreira, ao lado dos irmãos Climério e Clésio, era um dos que participava com freqüência desses saraus. “Na casa dele, uma verdadeira biblioteca, tinha um porão. Nos reuníamos lá. Na época, ainda éramos amadores e o Cassiano nos dava o maior apoio”, relata. “Lembro que ele tinha um grande carisma e exercia forte liderança sobre os alunos. Todos os consideravam uma referência”, afirma.

A poeta Vera Americano foi aluna de Cassiano Nunes na UnB: “Ele vai ser sempre uma referência para as letras de Brasília. Teve um papel fundamental da consolidação da literatura na cidade”, diz. “Lembro dele pelo grande amor que tinha por esta cidade, a evidência está na poesia dele, em todos os cantos da cidade”, afirma. Biografia Cassiano trabalhou como jornalista na Tribuna de Santos. Escreveu três peças teatrais.

Graduado em letras anglo-germânicas pela Universidade de São Paulo, fundou, junto com Antonio Cândido, a Faculdade de Letras e Filosofia de Assis em São Paulo (Unesp). Estudou literatura na New York University, nos Estados Unidos. Trocou centenas de cartas com Carlos Drummond, Mário de Andrade, entre outros, guardadas, em sua maior parte, na Biblioteca Central da Universidade de Brasília. Ele incumbiu a professora Maria de Jesus Evangelista, a Maju, para escrever a história dele. “Era para ser uma autobiografia, mas Cassiano Nunes desistiu da idéia. Ele me disse: ‘Eu não vou mais escrever! Você sabe mais de mim do que eu próprio. Escreva, se assim quiser’.

Era um homem atuante. Ele não morreu, mas cumpriu sua missão”, lamenta. Um dos maiores especialistas sobre a obra de Monteiro Lobato, Cassiano Nunes escreveu A atualidade de Monteiro Lobato, (1985, vencedor do Prêmio Sílvio Romero da ABL) e Novos estudos sobre Monteiro Lobato (1998, Editora UnB). Também organizou seus artigos e críticas em coletâneas como Breves estudos de literatura brasileira (1969) e A felicidade pela literatura (1983). Em 1997, seus amigos se reuniram e editaram uma antologia, Vinte vezes Cassiano. Seus poemas foram reunidos nas antologias Poesia-I (1997) e Poesia-II (1998). Também foi homenageado no cinema com o média-metragem Viva Cassiano! (2004), de Bernardo Bernardes. Em sua última entrevista, concedida ao Correio em abril deste ano, cercado de livros, Cassiano Nunes desabafou: “Trabalhei. Não fiz mais coisas porque me faltou apoio. Inclusive dos meus colegas intelectuais”.

O depoimento reflete o quadro de depressão em que o autor se encontrava no fim da vida. “Existe uma falta espiritual, que impede as pessoas de colaborarem umas com as outras”, cita em outro trecho. Os parentes do poeta ficaram em São Paulo. Não tinha laços familiares em Brasília. Na matéria, falava com carinho sobre a cidade: “A gente vive aqui numa espécie de parque. Árvores e jardins por toda a parte. Tudo isso colabora para que a gente se sinta bem aqui”.

ESPERA UM POUCO

“A minha morte não denomines de morte.
Nem a considere definitiva.
Espera um pouco, amigo!
Espera um pouco
Pela ressurreição”…

De Cassiano Nunes, publicada em Jornada Lírica — Editora Thesaurus (1992)
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13.10.07

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13.9.07

PARAÍSO NA TERRA (DUBAI)

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Companhias internacionais como CNN e Microsoft já jogaram âncoras em seus centros de escritórios. Marcas de luxo enchem seus muitos shopping centers.Visitantes lotam seus hotéis de luxo. Universidades, entre elas a Universidade Estadual da Geórgia, estão montando filiais lá, assim como firmas internacionais de arquitetura, como Thompson, Ventulett, Stainback & Associates e Perkins & Will, de Atlanta.

Ao usar sua localização estratégica e as receitas do petróleo como trampolim para se modernizar, diversificar sua economia e atrair investimento estrangeiro, os líderes de Dubai vêem seu pequeno país (do tamanho do estado americano de Rhode Island) como modelo para o desenvolvimento do mundo árabe. O sultão Ahmed Bin Sulayem, um dos principais assessores do governante, xeque Mohammed bin Rashid al-Maktoum, diz que "Dubai é um exemplo de como criar algo do nada".Jeffrey A. Rosensweig, diretor do Programa de Perspectivas Globais da Escola de Economia Goizueta da Universidade Emory, compara Dubai a Cingapura, outro país pequeno e pobre em recursos que se transformou no pólo do Sudeste Asiático.


"Dubai está se tornando um ponto de entrada para o Oriente Médio, a região que tem mais petróleo no mundo", ele diz. "Isso mostra como uma cidade pode criar uma realidade para si mesma e vender isso para o mundo. Dez anos atrás ninguém falava em Dubai."Mas para alguns observadores ainda é preciso ver que tipo de realidade está se formando aqui.

Por um lado, o ritmo frenético e o caráter do desenvolvimento inédito de Dubai, segundo alguns críticos, projetam um futuro de problemas ambientais e de sustentabilidade. Apesar de a maior parte de sua expansão ainda estar nas pranchetas, o tráfego já é um pesadelo em sua principal artéria, a avenida Xeque Zayed. E há crescente preocupação sobre os impactos em longo prazo da dessalinização das águas do golfo para irrigar campos de golfe e condomínios luxuriantes, assim como a incessante demanda por energia para refrigerar suas reluzentes torres de vidro.

Mas até agora pouca coisa conseguiu desacelerar essa corrida do ouro do século 21. O fenômeno é descrito desta maneira pelo arquiteto Ray Hoover, diretor da TVS, uma firma de Atlanta que participa de vários projetos de alto perfil do país: "No melhor dos casos, um otimismo desenfreado. No pior, um caos desenfreado. É atirar antes de mirar".

Excesso de projetos

Para a maioria dos americanos, Dubai provavelmente só surgiu há pouco tempo, quando houve a polêmica sobre o plano de sua empresa de administração de portos, DP World, assumir vários portos americanos no início deste ano. Mas nos últimos vários anos Dubai vem chamando a atenção de todo o mundo por seu perfil arrogante: ao longo da avenida Xeque Zayed, inúmeros edifícios que chamam a atenção --um minarete elevado, um hotel em forma de onda, torres enormes pintadas de vermelho e azul-- perfuram os céus perpetuamente ensolarados.

A escala de quase todos os projetos aqui desafia a imaginação. O Burj Dubai, uma estrutura em construção que deverá ser a torre mais alta do mundo, com mais de 600 metros, terá o dobro da altura do edifício do Bank of America em Atlanta. O Shopping dos Emirados, uma cornucópia de lojas de luxo que causaria vergonha a Rodeo Drive, tem seis vezes o tamanho da Lenox Square, mas será relativamente discreto quando dois shoppings maiores forem concluídos.

A construção desses megaprojetos ocupa quase um quinto de todos os guindastes de construção do mundo e dezenas de milhares de trabalhadores importados e mal-remunerados, que trabalham até durante a noite.

Por enquanto, o principal emblema de todo esse furor arquitetônico é o Burj al Arab, um hotel de US$ 1 bilhão que parece uma gigantesca vela branca.Considerado o primeiro hotel "sete estrelas" do mundo, o Burj (que significa "torre") é um espetáculo de opulência e exagero. Seu saguão tem uma fonte que jorra ao compasso de Tchaikovsky, flanqueada por alguns tanques de peixes que ficariam bem no Aquário da Geórgia. Até as suítes mais baratas, de US$ 1 mil por noite, têm acessórios de ouro maciço, mordomos e um cardápio de 12 páginas só com opções de travesseiros.

Não contente com os 70 quilômetros de litoral que a natureza deu a Dubai, o xeque Mohammed concebeu esses projetos para criar mais propriedade lucrativa. No golfo, três grupos de ilhas artificiais em forma de palmeiras estão sendo construídos com aterros de pedra e areia retiradas de um canal próximo, que lhe darão mais 400 quilômetros de novas praias.

A menor delas, Palm Jumeirah, vai aumentar a florescente carteira imobiliária de Dubai com 8.800 residências e 30 hotéis --incluindo um em forma de lótus, que está sendo desenvolvido por Donald Trump. Assim como The World, outro arquipélago feito pelo homem em forma de mapa-múndi, eles poderão ser vistos da lua.



Maravilhas de Dubai

O Mundo

Esqueça seu pequeno paraíso particular. Você pode comprar um "país" inteiro em The World, uma das quatro comunidades em construção em ilhas artificiais no golfo. Com a forma de continentes, as 300 ilhas representam países ou cidades (os países politicamente incorretos são omitidos). As ilhas terão acesso por barco ou avião. Em construção.

Domo de Neve

A "experiência ártica" de Dubai inclui uma pista de esqui (a maior do mundo) em torno de uma cadeia de montanhas; um rinque de gelo; um hotel em forma de iceberg; neve de verdade e ruídos de ursos polares. Tudo embaixo de um enorme domo de vidro. Em construção.Falcon City of WondersAs maravilhas do mundo --do Taj Mahal aos Jardins Suspensos da Babilônia--, tudo num mesmo lugar. Essa é sua chance de morar na Torre Eiffel, fazer compras nas Grandes Pirâmides e escalar a Grande Muralha sem sair de Dubai. Construção prestes a começar.Burj DubaiPelo menos por enquanto esse arranha-céu de vidro deverá ser o maior do mundo quando terminado. A peça central de US$ 20 bilhões de uma cidade dentro da cidade vai abrigar espaços residenciais e comerciais, incluindo o hotel Armani Dubai, um clube do charuto, quatro piscinas e uma biblioteca. Conclusão prevista para 2008. "

25.8.07

CATEDRAL DE BRASÍLIA

Aí está, no centro da foto, a imagem aérea da Catedral de Brasília. É um detalhamento da mesma foto do mapa-múndi, mostrada inicialmente e obtida por satélite, a cerca de 2.000 km de distância.
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BRASÍLIA - ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS


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PLANO PILOTO E PARTE DO LAGO PARANOÁ

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BRASÍLIA


No centro da foto está Brasília, com seu desenho que lembra um avião. Lá estão as duas asas: Asa Norte, acima; Asa Sul, abaixo. À direita, uma grande mancha escura que se ramifica com certa simetria. É o Lago Paranoá. No alto, mais à esquerda, uma grande mancha escura. Ali está o Parque Nacional, reserva ambiental de 33 mil hectares que, na semana passada, quase foi destruída por um incêndio (suspeita-se que tenha sido criminoso). Metade da área foi comprometida. As cinzas se espalharam pela Asa Norte.
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DISTRITO FEDERAL

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REGIÃO CENTRO-OESTE


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AMÉRICA DO SUL


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8.8.07

A MORTE DO SENADOR

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Um senador está andando tranqüilamente quando é atropelado e morre.

A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.

- Bem-vindo ao Paraíso, diz São Pedro. Antes que você entre, há um probleminha. Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.

- Não vejo problema, é só me deixar entrar, diz o antigo senador.

- Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores... Vamos fazer o seguinte: você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.

- Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso, diz o senador.

- Desculpe, mas temos as nossas regras.

Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.

A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe. Ao fundo, o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado. Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar.

Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. Eles se divertem muito e, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe. Ele sobe, sobe, sobe e a porta se abre outra vez.

São Pedro está esperando por ele. Agora é a vez de visitar o Paraíso. Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.

- E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Agora escolha a sua casa eterna.

Ele pensa um minuto e responde:

- Olha, eu nunca pensei ... O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno.

Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.

A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo. Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos. O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador.

- Não estou entendendo, gagueja o senador. Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados !!

O Diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:

- Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto...


(texto recebido por e-mail, sem citação de autor)


NUS COM ARTE

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(CLIQUE SOBRE AS IMAGENS PARA VÊ-LAS AMPLIADAS)
(Foto de Carlos Hauck)


(Foto de A. Brito)


(Foto de Amanda Com - Modelo: Silvia)





(Foto de Angel Nino)





(Foto de Marta Ferreira)






(Foto de Eduardo Almeida)




(Foto de Fernanda Bueno)



(Foto de Filipe Monteiro)




(Foto de João Sargo)




(Foto de Marcio Murilo Pilot)

27.7.07

GILBERTO FREYRE: ENSAIO SOBRE A ANTROPOLOGIA DA PREFERÊNCIA NACIONAL

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“(...) Constam essas informações da Primeira Visitação do Santo Ofício a Partes do Brasil pelo Licenciado Heitor Furtado de Mendonça. Surgem, nessas indagações secretas, homens casados casando outra vez com mulatas (talvez do tipo mulher tornada conhecida como ‘arde-lhe o rabo’, decerto por haver se extremado em furor anal), adultos europeus ou de procedência européia pecando contra a natureza, em coitos anais ou através de luxúrias de felação, com efebos, quer na terra, quer na Guiné, participantes, alguns deles, com tal volúpia desses amplexos, que de um deles se registra a exclamação ‘quero mais’. A participação nesses coitos da gente da terra parece indicar, de ameríndios, presentes em contatos madrugadores com europeus, terem sido, eles próprios, dados à sodomia ou à pederastia, com o abuso de bundas já então praticado, quer por europeus em não-europeus, quer – é possível – em reciprocidades voluntuoas eurotropicais euro-ameríndias e euro=afronegras. Pode-se concluir de mulheres indígenas, desde esses dias, terem revelado preferências, para contatos sexuais com portugueses, por aqueles motivos priápicos já alegados pelo severo Varnhagen: os portugueses, em confronto com machos indígenas, teriam se revelado mais ardorosamente potentes. Sabe-se, por algumas observações antropológicas confiáveis, de homens de culturas primitivas precisarem, em vários casos, para efeitos de procriação tribal, de festas excitantemente sexuais, que os levem a atos procriadores, é claro que acompanhados de gozos. Atos e gozos, entretanto, mais provocados que espontâneos, embora as investigações do Santo Ofício documentem ocorrências de receptividade de indígenas a práticas, já por indígenas conhecidas, em que o coito anal teria se verificado.”

“(...) Não há evidência alguma de mulheres indígenas terem se feito notar, como aconteceria com mulheres de origem afronegra, introduzidas na colônia, desde o século XVI, por nádegas notavelmente protuberantes ou por bundas salientemente grandes. E, por essas saliências, sexualmente provocantes do seu uso, e até do seu abuso, em coitos de intenções mais volutuosas. Ao tamanho das nádegas, desenvolveu-se, é de supor, a tendência, quase folclórica, entre brasileiros, de associarem-se os chamados cus de pimenta ou rabos ardorosos, já presentes em referências em registros das investigações do Santo Ofício.

“Entretanto, é preciso não resvalar-se na simplificação de atribuir-se a presença, entre mulheres brasileiras, de bundas grandes, com ou sem essas conexões, à presença de afronegras notáveis por tais protuberâncias de nádegas”

“(...) E aqui é preciso que se volte à observação de Havelock Ellis quanto a uma das superioridades da mulher ibérica sobre as ortodoxamente européias estar na assimilação, pela ibérica, de remota influência africana de andar, como se dançasse. É um movimento de bundas bastante amplas – especifique-se – para permitirem essa ondulação como que – sugira-se – afrodisíaca de andar.

“A grande número de mulheres brasileiras, a miscigenação pode-se sugerir ter dado ritmos de andar e, portanto, de flexões de nádegas, susceptíveis de ser considerados afrodisíacos. Atente-se nesses ritmos, em cariocas miscigenadas, em confronto com as de beldades argentinas que o observador tenha acabado de admirar. Os ritmos de andar da miscigenada brasileira chegam a ser musicais, na sua dependência de bundas moderadamente ondulantes. Para Havelock Ellis, o andar da mulher mais tipicamente ibérica, em contraste com a da ortodoxamente européia – em grande número de casos, acrescente-se a Ellis, como que calvinistamente proibida, em sua maneira de ser femininamente elegante, de ter bunda ostensiva – teria alguma coisa de graciosa qualidade de um corpo felino inteiramente vivo.”

“(...) O homem médio brasileiro não pode deixar de ser sensível à imensidade de provocações que o rodeiam. Não tanto ao vivo, como por meio de anúncios de revistas ilustradas, que se vêm esmerando na utilização de reproduções coloridas de bundas nuas, como atrativos para uma diversidade de artigos à venda.

“Por algum tempo foi a bunda o chamariz, da parte de mulheres da vida, do tipo chamado indistintamente polaco, em ruas de ostensiva prostituição comercial, a homens ao alcance de suas vozes, que consideravam cansados de coitos conjugais monotamente normais. Tais mulheres anunciavam deixarem-se enrabar ou a praticar o sexo oral.”

“Assinale-se que, ao começar a haver, em Mangues, tais ofertas, parece ter havido não pouca repulsa da parte de mulatas mais castiçamente brasileiras, a homens que lhes propuseram facilitar-lhes tais substitutos de coitos convencionais. Que fossem se acanalhar com polacas! O que não parece ter impedido de as alternativas virem sendo adotadas por brasileiras de cor, com as bundas avantajadas sendo cortejadas por homens inclinados a esse tipo porventura mais carnal de coito.

“(...) É curioso que, no excelente Ensaio de Antropologia Estrutural (Petrópolis, 1977), o professor Roberto da Matta, ao considerar o Carnaval brasileiro como ‘rito de passagem’, destaque ser a Rainha do Carnaval ‘sempre uma vedete de formas perfeitas’. E sua bunda? É parte ou não dessa perfeição? Se, como recorda a música de Chico Buarque, o típico brasileiro carnavalesco espera ‘o Carnaval chegar ‘ para ‘pegar em pernas de moças’, como não destacar-se seu ensejo maior de apalpar bundas de mulher?”

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5.6.07

DIFERENÇA ENTRE PAQUERA E ASSÉDIO

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"Para a 5ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) é o constrangimento provocado na vítima mediante o uso do poder concedido por uma situação hierárquica superior. Com esse entendimento, o tribunal negou o pedido de indenização de uma funcionária que foi paquerada, e recebeu cartões e telefonemas de amor, de um superior.

De acordo com a assessoria do TST, a ex-empregada do Sindicato dos Estivadores do Porto de Rio Grande (RS), que trabalhava com datilógrafa, ingressou na Justiça alegando que sofreu, durante anos, assédio verbal e por escrito por parte de um secretário da entidade. Segundo ela, as investidas do superior a prejudicaram no ambiente de trabalho e acarretaram constrangimento físico e psicológico. A empregada pediu uma indenização pelo dano moral causado.

Como prova, a datilógrafa juntou aos autos cartões de amor enviados pelo secretário do sindicato. Neles, o superior declarava seu desejo de namorar e beijar a colega de trabalho. Em juízo, testemunhas confirmaram que o sindicalista costumava telefonar para a datilógrafa para obter resposta do pedido de namoro.Na primeira instância, a Justiça considerou que, a “externalização de sentimentos” não configurou assédio sexual. Segundo a sentença, nas mensagens românticas e nos testemunhos não ficou caracterizada proposta que afetasse a integridade física, psicológica e a dignidade da empregada. “Pelo que se vê do quadro, o preposto do sindicato estava fascinado por dotes da empregada, que o atraíam”, afirmou o juiz. Para o magistrado, a paquera ocorreu dentro dos limites razoáveis, e o secretário não teve a “sensibilidade” de perceber que não era correspondido.

A ex-funcionária recorreu da decisão ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 4ª Região, afirmando que, embora não tenha havido assédio sexual houve “assédio por intimidação”, também conhecido como “assédio ambiental”. Segundo seu advogado, embora não configure crime, esse tipo de assédio autoriza a reparação por dano moral. A nova visão sobre o assédio, que tem origem no Código Penal espanhol, caracteriza a conduta com "um comportamento de natureza sexual de qualquer tipo que tem como conseqüência produzir um contexto laboral negativo —intimidatório, hostil, ofensivo ou humilhante— para o trabalhador, impedindo-o de desenvolver seu trabalho em um ambiente minimamente adequado". Ao negaram provimento ao recurso, os juízes do TRT-4 mencionaram tese defendida pelo ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Luiz Vicente Cernicchiaro, segundo o qual o assédio somente se caracteriza quando encerra condição imposta a quem procura o trabalho, deseja conservá-lo ou postula melhorar as suas condições, o que não é o caso da paquera. “No galanteio, o homem se insinua, busca o consentimento da mulher; pode haver insistência, mas não há condição. A mulher é livre para aceitar, ou recusar”, afirmou o ministro do STJ, citado pelos magistrados do tribunal regional em sua decisão.


A empregada recorreu novamente, agora ao TST, mas o recurso de revista não foi conhecido. O relator do processo, ministro João Batista Brito Pereira, destacou em seu voto que se o TRT-4 consignou não haver prova de constrangimento provocado na busca por favor sexual, não cabe na atual esfera recursal revolver os fatos e as provas, segundo o disposto na Súmula 126 do tribunal. "

(Fonte – Última Instância – revista jurídica
http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/38520.shtml )
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5.5.07

NÃO SEJA VÍTIMA NEM ALIMENTE AS ARMADILHAS QUE CIRCULAM NA INTERNET

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DEIXO AQUI, DISPONÍVEL PARA OS LEITORES, ESSE ALERTA QUE RECEBI POR E-MAIL. VALE A PENA DAR UMA OLHADA, PARA EVITAR AS INÚMERAS ARMADILHAS QUE CIRCULAM NA INTERNET:

"MUITO IMPORTANTE, VALE A PENA LER COM ATENÇÃO O TEXTO ABAIXO DO COMITE DE SEGURANÇA DA PETROS.
É DE INTERESSE DE TODOS NÓS QUE USAMOS A INTERNET COM RESPONSABILIDADE!

CUIDADO


O que há por trás das mensagens, por exemplo, de crianças desaparecidas!

Segue abaixo uma boa explicação para NÃO repassarmos qualquer e-mail de pedido, promoção, protestos ou acusações sem antes verificar a veracidade dos fatos.

Uma amiga minha recebeu o e-mail abaixo transcrito, logo depois de receber um comovente e-mail com uma foto de uma criança desaparecida e repassar para vários amigos.

Veja a resposta de uma das pessoas que recebeu a mensagem:

Esse telefone não é de Niterói.

Se você ligar direto, sem usar o DDD, a ligação não completa.

Se usar o código 21, também não completa.

Esses e-mails bem apelativos são criados por pessoas inescrupulosas para conseguir algo muito valioso para eles: o seu, o nosso endereço de e-mail...

Qual candidato a deputado, dono de joalheria, diretor de banco, financeira etc, que não quer oferecer seus produtos ou dar o seu "plá", sem qualquer custo, para uma clientela seleta dessas: você, que é @ans e eu, que sou @petros....

Daí você manda para outros @ans, @iba, eu mando para @petrobras, @cvrd, @terra, etc.

Alguém depois recolhe esses endereços, deleta os @ig da vida e vende nossos endereços, por uma nota, para os clientes acima .

Sou do comitê de segurança da informação da Petros e todos os e-mails desse tipo que chegam eu verifico a validade.

Até agora, e já faz mais de dois anos que estou nessa , somente um foi realmente verdade : era sobre um cadastramento de pessoas carentes para fazer cirurgia de palato, lábio leporino em crianças. Liguei e era real...

O resto, tudo mentira!

O último foi do banco Santander, que estaria recrutando pessoas com deficiência física para trabalhar.

Aqui, na PETROS, todo mundo ficou sensibilizado e quando eu recebi, simplesmente entrei no site do banco.

Achei um "pop-up" que desmentia a notícia...

Aí seguem algumas dicas do nosso comitê para não "cairmos nessa":

Escrever um mail ou enviar qualquer coisa pela Internet é fácil...

NÃO acredite automaticamente em tudo!

Observe o texto, reflita, analise tudo isto antes de repassar aos amigos.

Quando nós recebemos mensagens pedindo ajuda para alguém, com alguma foto comovente, não repasse apenas "para fazer a sua parte",....

Pode haver alguém cheio de más intenções, por trás deste e-mail...

Verifique a veracidade das informações.

Não tenha receio de NÃO repassar a mensagem, caso não queira ou não tenha condições financeiras de confirmar sua veracidade (há custo de interurbanos, etc)!
Afinal, próximo de sua casa, há sempre alguém carente que você poderá ajudar, se esta for sua opção de vida.

Cuidado!

Muito cuidado com mensagens-lista de dados de pessoas, que a cada um vai assinando, colocando seus endereços e telefones reais,repassando...

Podem facilmente serem utilizados por assaltantes, seqüestradores, etc.

E AGORA O MAIS, MUITO MAIS, IMPORTANTE:Quando reenviarem uma mensagem, RETIREM OS NOMES E E-MAILS DAS PESSOAS POR ONDE A MENSAGEM JÁ PASSOU.
Existem programas rodando na Internet para pegar "tudo que tiver antes e depois de um @".

O resultado disto é vendido para "spammers" que, muitas vezes, espalham vírus!

Quando for mandar uma mensagem para mais de uma pessoa , NÃO UTILIZE A LINHA "PARA" NEM A LINHA "CC".
ENVIE, sempre , COM O " CCO " (CÓPIA CARBONO OCULTA) OU "BBC" (BLIND COPY), sendo que então nunca aparecerá o endereço eletrônico de nenhum destinatário .

Quando todos nós fizermos isso, livraremos a Internet de 80% dos vírus!"

15.11.06

PARA UMA VIDA SAUDÁVEL

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Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.

Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.

Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos, que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão. Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja para não lembro bem o que faz, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.

Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.

Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos vinte vezes cada garfada.Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.

E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e, enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com PIax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.Sobram três, desde que você não pegue trânsito.

As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma). E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando. Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.

Ah! E o sexo. Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico. Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação.

Na minha conta são 29 horas por dia. A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes enquanto faz sexo.Sobrou uma mão livre? Chame os amigos e seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher. Agora tenho que ir, esquecí da ginástica !

Hummmmm... acho que vou morrer cedo...

ALFAÇADA

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No princípio eram as trevas. Aí Deus criou o couvert. Depois do couvert vieram as entradas, depois das entradas, o pernil. Depois do pernil veio a farofa, a maionese e o feijão tropeiro, além da cerveja, é claro, bem gelada, que não podia faltar. Deus achou tudo aquilo muito bom mas achava que faltava um doce. Aí apareceu o quindim, depois do quindim veio o café. O café e um licor. E a conta.

A gordura é a desgraça do mundo moderno. Vendo que estava engordando, tomei uma coca cola e uma decisão drástica: vou comer menos. E para mostrar que não estava brincando entrei imediatamente num Mc Donald's e pedi um Big Mac sem cebola. Começou aí o meu regime. Sim, pois o primeiro passo para quem decide começar uma dieta é, antes de mais nada, escolher entre os milhares de métodos de regimes à disposição. Logo eu que gosto de tudo... que como tudo... Como até aquele queijo do Mc Donald's que é feito do mesmo material da caixinha em que vem o sanduíche. Mas vamos às dietas.


Tem a dieta do Amir Klink; onze meses na Antártida. Esta dieta tem um problema: além de emagrecer, causa espinha no rosto, e faz cabelos aparecerem nas mãos. Segundo alguns até pode levar à cegueira.


Tem ainda a famosa dieta do Abacaxi, na qual você só pode comer um abacaxi por dia durante uma semana. Na segunda feira de manhã te dão sete abacaxis mas não dão a faca. É tiro e queda! O gordo vive eternamente revoltado com a natureza. Porque só a cerveja dá barriga? Porque alface não dá barriga? Porque agrião não dá celulite? Está tudo errado no mundo, menos o pastel da Viçosa.

O primeiro sentimento de quem começa uma dieta é o de revolta. A vida passa a ser igual comida de hospital - não tem graça nenhuma. Dá vontade de acabar com tudo, a começar pelo que tem na geladeira, continuando a fúria devastadora de Gengis Khan até a loja de doces que colocaram na esquina só pra te sacanear.


O emagreando (ou regimando), é um indivíduo macambúzio, triste e cabisbaixo. Para ele nada faz sentido, só uma empadinha. A balança,depois da roleta do ônibus, é a sua maior inimiga. No geral, todas as dietas seguem o mesmo princípio: nada que é gostoso pode! E o pior são os médicos de dieta querendo convencer você das delícias do chuchu, do sabor da cenoura, que um tomate no lanche substitui um Big Bob e que o chá de camomila relaxa mais que um chopp.

Só quem ganha com os regimes são os médicos de dieta, que devem gastar todo o dinheiro em banquetes monumentais, em porres homéricos nos congressos que eles organizam só pra contar piada e zombar dos pacientes que eles deixaram suspirando na frente de uma folha de alface.


Mas como você não consegue emagrecer, o jeito é ir para um Spa. Alguns indivíduos têm de ser trancados em jaulas para agüentar a rotina do Spa. Num Spa um irmão esfaqueia o outro por causa de uma bomba de chocolate, o marido estrangula a esposa por um cream-cracker. Fugitivos destes campos de alimentação, quando conseguem escapar dos cães farejadores de comida, andam quilômetros para buscar refúgio na padaria mais próxima. Quando voltam para casa, vários quilos mais magros, cheios de rugas e cicatrizes, trazem a marca de quem escapou vivo do inferno e mais tarde, nas noites frias de inverno, contam para seus netinhos como pagaram uma fortuna por um cheese-burguer sem catchup!

Comida pra ser boa tem que fazer mal, dar dor de barriga: mocotó, feijoada, leitão à pururuca, rabada, xinxim de galinha, vatapá, caruru, bobó, barreado, virado à paulista, baconzitos, cheesitos, doritos, pizza, batata frita de latinha, cheeseeggtudoburguer com molho e sem alface, bacalhau à zé do pipo, salame, salchichão e, é claro, o porco como um todo!!!!! Isso sim é que é comida de verdade!

Comida só funciona com culpa. E tem mais: se a gula é um pecado, o inferno deve ser ótimo pra fazer churrasco. Ninguém no sábado depois do almoço bate na barriga satisfeito e vai puxar um ronco depois de comer uma salada. Ninguém convida um amigo: "vai sábado lá em casa que vai ter alfaçada". É mais fácil perder um amigo se você fizer um convite desses do que os 30 quilos que estão sobrando!

(JO SOARES)

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